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A nova realidade angolana
Com as suas principais infr-estruturas económicas praticamente destruídas ou inoperantes, com um terço da sua população (apenas cerca de 12 milhões de habitantes num território duas vezes maior do que o da Península Ibérica) deslocada dos seus locais de origem, com algumas marcas mundiais de natureza trágica, Angola não parece ter à primeira vista um curriculum muito favorável a apresentar ao mundo.
Fica de facto difícil de explicar como é que um território potencialmente dos mais ricos do continente africano, com petróleo, diamantes, minerais estratégicos, madeira, peixe, terras férteis para culturas de climas temperados e tropicais, recursos hídricos, etc., cerca de 70% da população viva ainda abaixo do limiar da pobreza, com rendimentos per capita incapazes de justificar a sua simples sobrvivência.
E, no entanto, Angola conseguiu até aqui o que parece ser essencial, ou seja, conseguiu preservar a independência, manter a integridade territorial, lançar as bases de um Estado Democrático de Direito de Direito a unidade e a consciência do seu povo em torno em torno de um projecto nacional, apesar de todas as acções de desestabilização que sofreu nesses últimos 30 anos.
Para tal o país teve de resistir logo em 1975 à invasão simultânea de dois exércitos, zairense a Norte e o sul-africano a Sul, à acupação de parte do seu território pelo exerército de Pretória no início dos anos '80 e à desestabilização de longa duração condudzida por um partido armado, a UNITA de Jonas Savimbi diretamente apoiado pelo regime racista da Áfica do Sul e, até pelo menos o início dos anos '90, por sucessivas administrações norte-americanas.
Neste momento, com o advento da paz, com uma nova política governamental em nível económico em vias de ser formalmente abençoada pelos grandes organismos financeiros internacionais, com a aprovação pelo Parlamento dos princípios fundamentais para a revisão da Lei Constitucional (consagrando um regime semipresidencial, democrático e de economia livre) e ainda com com o anúncio da possibilidade de novas eleições já no próximo ano, Angola entrou finalmente numa fase que o seu presidente já teve oportunidade de caracterizar como a conquista da paz, consolidaão da democracia, estabilização da economia nacional da esperança a todos os angolanos.
A particularidade cultural
Angola é um país pluriétnico e multicultural ( uma Nação de várias nações), como a definiu o poeta Agostinho Neto, primeiro presidente da República independente, cuja identidade se foi forjndo ao longo de séculos de uma história conflictuosa, feita de trocas socioeconómicas, biológicas, culturais e linguísticas entre intervenientes de muitas origens, alguns deles provindos de fora do continente.
Tudo isto conformou uma sociedade sui generis, mesmo no contexto dos outros países africanos colonizados por Portugal, em que coexistem povos de diferentes caractrerística e em diferente nível de desenvolvimento, mais abertos uns, sobretudo os de cultura urbana, a todas as inovações e influências vindas do exterior ( aí incluída a língua portuguesa) e outros, mais confinados ao mundo ao mundo rural, conservando praticamente intactas as suas tradições e formas de vida, com línguas próprias (ainda que de comum raiz bantu) e com comportamentos e práticas sociais perfeitamente diferencíaveis no quadro nacional.
É assim inevitável que as manifestações expressivas de uns e de outros se situem muitas vezes em extremos quase opostos, errando apenas quem pretenda estabelecer entre elas hierarquização ou quaisquer outras escalas valorativas, em vez de reconhecr que nessa diversidade está a verdadiera riqueza cultural do país.
A longa guerra de libertação nacional (1961-1974) e as guerras que se seguiram à independência do pa°is apesa dos dramas e do cortejo de horrorers que lhes estão associados, tiveram pelo menos mérito de concluir a já avançada destribalização do país, fazendo do circular povos de todas as etnia e regiões pelo país inteiro e acelerando a sua integração num todo nacional reconhecível nos seus principais símbolos a bandeira, o hino, a língua, a unidade monetária comum e até mesmo na l°ingua oficial portuguesa.
Hoje já ninguém questiona a existência da tão apregoada angolanidade, que não é do que a consequência de pertença a um todo nacional, seja numa base histórico-cultural, simbólica ou simplesmente afectiva, que implica não só o respeito pela identidade e a valorização de todos os grupos parcelares que compõem a Nação angolana e suas respectivas culturas.
Uma fase importante dessa valorização consistiu, por exemplo na fixação do alfabeto e na descrição fonética, fonológica, morfossintátic das seis principais línguas africanas de Angoa o kikoongo (falado a Norte), o kimbundu, (falado numa região que vai de Luanda para o interior, até Malanje), o tchokwe (falado ao Leste), o umbundu (no Centro/Sul), o mbunda e o kwanyama (a Sul). |
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